segunda-feira, 30 de agosto de 2010

ESTUDOS: Bertolt Brecht no Brasil

A discussão a respeito das idéias e da influência de Brecht sobre o teatro brasileiro tem marcado presença nos meios artísticos e intelectuais brasileiros por muitas décadas.
A obra do poeta e dramaturgo já era mais ou menos conhecida no Brasil desde sua morte, em 1956. O crítico Sábato Magaldi escrevera um artigo sobre o autor para o Suplemento Cultural do Estadão naquele ano. Uma montagem de A alma boa de Setsuan foi realizada em 1958 pela Companhia Maria Della Costa-Sandro Polloni, em São Paulo. Não apenas a capital paulista, mas também o Rio de Janeiro, Salvador e Porto Alegre, principalmente, viram montagens de peças do autor nesses quase cinqüenta anos em que ele é conhecido no Brasil.
A influência das idéias e da estética do dramaturgo é patente em autores, diretores e demais artistas de teatro, em instituições e entidades culturais e políticas como Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha, e nos CPCs da UNE (Centros Populares de Cultura da União Nacional dos Estudantes). Textos e montagens como Revolução na América do Sul, Arena conta Zumbi e Arena conta Tiradentes, de Augusto Boal, criador do Sistema Curinga, inspirado no distanciamento brechtiano, e todo o desenvolvimento posterior de sua teoria teatral são realizações que devem muito ao Pequeno Organon (1948) e ao Teatro de Brecht.
Também nesse quadro insere-se o Teatro Oficina de José Celso Martinez Corrêa, na montagem do Rei da vela, de Oswald de Andrade, e nas elogiadas Galilei Galileu e Na selva das cidades, do próprio Brecht, e mesmo no polêmico Roda viva, de Chico Buarque, dirigido por ele. Ainda Eles não usam black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri (que, apesar de usar black tie na forma dramática, não deixou de fazer um macacão épico, contrariando Iná Camargo da Costa), Francisco de Assis, Aderbal Freire Filho, O Grupo Opinião e seus shows (no Rio de Janeiro), Fauzi Arap, Dias Gomes e (por que não?) Millôr Fernandes, no momento em que concebeu o espetáculo Liberdade, liberdade junto com Flávio Rangel.
O momento político-estético mais sensível da recepção de Brecht no Brasil, as experiências e os artistas mencionados, que aconteceram/atuaram principalmente dos anos 1950 até o final dos anos 1960, podem ter deixado de lado o apuro na aplicação dos postulados teóricos e técnicos criados por Brecht, mas convém não esquecer que, no enfrentamento político-cultural daquelas décadas, em especial nos primeiros momentos da ditadura militar (1964-1968), importava mais o que se fazia do que como se fazia. O como foi objeto de julgamento severo de autores como Iná Camargo da Costa, no seu A hora do Teatro Épico no Brasil, julgamento feito com a devida distância no tempo (1996). Resta saber se, mesmo assim, faz-se justiça estética e política a criadores que atuaram em condições tão adversas. De resto, a resposta do crítico teatral e imortal Sábato Magaldi às críticas da autora em artigo do mesmo ano (Polêmica do Teatro Épico - 1996), republicado no seu Depois do espetáculo (2003), faz um contraponto que merece ser lido.
Do ponto de vista do movimento editorial, a recepção e a crítica à obra de Brecht foi e continua sendo boa no Brasil. A partir de críticos, pesquisadores e ensaístas como Anatol Rosenfeld, Sábato Magaldi, Ingrid Koudela, Gerd Bornheim, Jaco Guinsburg, Antonio Pasta Jr., Fernando Peixoto (tradutor também do Teatro completo de Brecht - 12 vols.) e mais recentemente Sérgio de Carvalho e Márcio Marciano, além de tradutores como Manuel Bandeira (O círculo de giz caucasiano), Christine Röhrig (O declínio do egoísta Johann Fatzer), Paulo Cesar Souza e Geir Campos (Poemas e canções) e Maria Silvia Betti (O método Brecht, de Frederic Jameson), temos acesso a muitas obras do autor e sobre sua vida, assim como ao estudo e à crítica de seus postulados estéticos e teatrais.
As metáforas dos anos 1960 e o experimentalismo (a criação coletiva) dos anos 1970 revelaram-se obsoletos para uma era de individualismo exacerbado, predomínio da imagem e busca do efeito estético impressionante, como foi a década de 1980. O vácuo foi em parte preenchido pelo besteirol (Mauro Rási, Hamilton Vaz Pereira, entre outros), mas a hegemonia foi quase total dos encenadores-criadores, como Antunes Filho, Gerald Thomas, Ulisses Cruz, William Pereira, Moacir Góes, mais ou menos presentes na cena teatral ao longo da década, que teve também a presença de Eduardo Tolentino e o conjunto preciso de seu Grupo TAPA. Foram criados espetáculos belos, mas destituídos da força instigante do teatro épico. Destaque para o espetáculo e disco Cida Moreyra Canta Brecht (1988).
Dos anos 1990 para cá, o momento de ressurgimento de Brecht como força estética e politicamente propulsora para o teatro brasileiro coincide com a retomada do trabalho em grupo, com as propostas, em São Paulo (frize-se), das companhias Parlapatões, Companhia do Latão, Folias D´Arte, Teatro Ágora, Teatro da Vertigem, Fraternal Companhia de Arte e Malas-Artes, entre outras, que têm no dramaturgo alemão referência obrigatória para seus artistas não apenas como autor mais próximo ideologicamente de sua formação política, mas principalmente pelo desafio que ele representa para os criadores. Aí estão dramaturgos, dramaturgistas, em colaboração direta com atores, diretores, cenógrafos, no processo colaborativo, devedor dos métodos e das idéias de Brecht, ou na criação de uma dramaturgia em processo, à procura de caminhos para o teatro brasileiro.
FONTE: http://www.apropucsp.org.br/revista/rcc01_r09.htm
Dossiê Brecht
BRECHT Teatro, estética e política
Eduardo Luiz Viveiros de Freitas

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

terça-feira, 17 de agosto de 2010

ESPETÁCULO: El gran circo de Los Niños

O espetáculo "El gran circo de Los Niños" é composto por números de equilibrismo em monociclo, malabarismo, pirofagia, palhaços, acrobacia de solo, trapézio e tecido acrobático, no elenco 9 adolescentes e 40 crianças, além dos artistas: Yago Garcia (Apresentador), Renata Cáceres (Palhaça Testinha), Marta Guimarães (Pirofagia) e a direção de Aline Duenha, Coordenação de Mauro Guimarães.
"Este espetáculo é fruto do Projeto Circo no CICA, contemplado com o Prêmio Funarte Carequinha de Estímulo ao Circo 2009"
CICA - Centro de Integração da Criança e do Adolescente, o espetáculo será apresentado nos dias 17 e 18 de agosto de 2010, às 19h30 na lona armada em sua sede, Rua Nair Alves e Castro nº 113, bairro Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.
Informações (67) 3387-9627
Entrada Franca
FONTE: Mauro Guimarães

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

ESPETÁCULO: Chico um certo Buarque de Hollanda

EVENTO: BRECHT VIVE Semana Brecht

BRECHT VIVE, Semana Brecht marca no Pontão Guaicuru os 54 anos da morte do teatrólogo.



O Pontão de Cultura Guaicuru realizará de 23 a 27 de agosto de 2010 a SEMANA BRECHT, a 54 anos da morte do teatrólogo Bertoldo Brecht. A atividade prevê uma série de cinco encontros com o objetivo de abordagem de diferentes aspectos da obra do dramaturgo e sua importância. Estão previstos encontros noturnos, com três horas de duração cada, gratuitos e destinados ao público em geral.
Eugen Berthold Friedrich Brecht (August, 10 de fevereiro de 1898 – Berlim, 14 de agosto de 1956) foi um destacado dramaturgo, poeta e encenador alemão. Seus trabalhos artísticos e teóricos influenciaram profundamente o teatro contemporâneo, revolucionaram a prática da dramaturgia e da encenação, a função e o sentido social do teatro. Brecht concentrou-se na crítica artística ao desenvolvimento das relações humanas no sistema capitalista.
A orientação dos encontros será da atriz, diretora e pesquisadora teatral Lígia Marina, da Cia. Navalha na Liga – Nada na Barriga, de São Paulo. Como Contadora de Histórias e professora de Teatro e Filosofia Dialética, dialogou com as diversas periferias geográficas das cidades de São Paulo, Diadema e Guarulhos. Em 2009, esteve em Mato Grosso do Sul no Pontão Guaicuru e em Pontos de Cultura de Campo Grande, Nova Andradina, Dourados realizando oficinas e apresentando espetáculos para os para os participantes do Teatro no Ponto.
A programação da Semana BRECHT apresenta os seguintes temas:
•Dia 23 - Do épico ao dialético
•Dia 24 - Gestus e o corpo político
•Dia 25 - Dramaturgia brechtiana: da peça de espetáculo ao fragmento
•Dia 26 - A atualidade de Brecht: experimento sobre \\\"Terror e miséria no III Reich\\\
•Dia 27 - Brecht ilumina o cinema e o cinema ilumina Brecht
Os temas dos encontros vão dialogar também com a identidade cultural brasileira já que o autor foi e é estudado por importantes grupos teatrais brasileiros, que construíram suas estéticas e suas noções de brasilidade graças ao modelo de estudo oferecido pela teoria e prática desenvolvida pelo alemão. O objetivo é tratar de reflexões sobre identidade, estética e política no Brasil de hoje, sob a inspiração da obra de Brecht.
Inscrições
As inscrições permanecerão abertas até o dia 22 de agosto para atores, diretores, estudantes de teatro, acadêmicos de letras, história, comunicação, ciências sociais, e o público em geral. Devem ser feitas por email para contato@pontaodeculturaguaicuru.org.br O interessado deve enviar para esse email um breve currículo e seus dados pessoais completos. A mensagem deve ter o título: SEMANA BRECHT - QUERO PARTICIPAR.
Os nomes dos inscritos serão divulgados pelo site www.pontoadecultuaguaicuru.org.br no dia 23 de agosto.
Serviço:
SEMANA BRECHT
Data – 23 a 27 de agosto de 2010
Horário – 19h às 22h
Local: Pontão de Cultura Guaicuru – Rua 13 de maio 727 – tel. (67) 30266356
Informações e inscrições pelo site http://www.pontaodeculturaguaicuru.org.br/

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

ESPETÁCULO: Os Diferentes

O grupo teatral Arte Boa Nova – apresenta nos dias 14 e 15 de agosto a peça espírita “Os Diferentes”, no sábado às 17h, 19h e 21h e no domingo às 17h e 19h, no Teatro Aracy Balabanian do Centro Cultural José Octávio Guizzo. A peça tem classificação de 12 anos e duração aproximada de 1h15min.
A peça “Os Diferentes” conta às experiências de uma família que perde um filho em plena juventude, abordando temas curiosos como: percepções mediúnicas, premonições, influência dos espíritos em nossas vidas, lei de ação e reação, reencarnação, laços de família e, de forma encantadora, fecha o ciclo dramático com a proposta de que o amor é o objetivo que todas as pessoas atingirão mais cedo ou mais tarde o caminho de suas esperanças.
Abordando os temas "vida após a morte" e "mediunidade", a peça teatral "Os Diferentes", de texto concebido e dirigido por Nelson Peixoto, vem sendo considerada um dos mais esperados espetáculos produzidos pela companhia de arte "Boa Nova", de Campo Grande-MS, que, depois do sucesso e recorde de público com seu último trabalho "Queridos amigos, desde que morri esta é a primeira carta que vos escrevo" (2009), dedica-se à produção do atual espetáculo, cumprindo com um dos principais compromissos de seus organizadores: oferecer cultura, aprendizado e diversão para toda a família sul-mato-grossense.
O “Arte Boa nova – Uma Nova Dimensão em Teatro”, fundado em 1989 em Campo Grande-MS, nasceu sob a inspiração de temas espíritas tendo como finalidade levar ao público em geral uma mensagem de otimismo, esclarecimento e diversão, por acreditar na grande contribuição que a Arte pode propiciar ao ser humano para seu crescimento cultural, intelectual, psicológico e moral. Tornou-se uma das maiores e bem cuidada associação artística de Mato Grosso do Sul, sendo seus trabalhos sempre velados pelo bom gosto e a fácil assimilação da mensagem proposta pelo espetáculo. Com essas características próprias, suas produções são canais abertos para a família sul-mato-grossense ter acesso ao universo inigualável e enigmático do teatro.
O grupo Arte Boa Nova desenvolve um trabalho contínuo no campo da arte por mais de 20 anos e vem de forma diversificada e inovadora, apresentando sucessivas montagens em todo o Estado, sempre com muitas surpresas, criações cênicas e humor refinado, o que tem caracterizado-o como uma companhia de arte que consegue agradar a maioria de seus espectadores, desde àquele que vai ao teatro pela primeira vez como às pessoas de experimentado conhecer artístico.

Ingresso na hora por R$ 20 (inteira) ou antecipado a R$ 10 (meia) e R$ 7,50 para o Pacote Família e podem ser adquiridos através do site http://www.arteboanova.com.br/. Mais informações pelo telefone 3042-5907 ou no Centro Cultural José Octávio Guizzo, na rua 26 de Agosto, 453.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010